12 Homens e uma sentença

 


Um jovem de 18 anos acusado de ter matado seu pai e doze homens que vão dizer se ele é culpado ou inocente. Seu destino caso seja culpado é a morte na cadeira elétrica.

O filme de 1957, baseado numa peça de teatro de Reginald Rose foi o primeiro longa do diretor Sidney Lumet.  As imagens em preto e branco e a excelente interpretação do grupo dos jurados nos leva a uma jornada sobre o que é a verdadeira atenção e responsabilidade.

A condenação está certa, todos estão convencidos de que o jovem é culpado. As testemunhas são taxativas de que ele estava presente na cena do crime e a o porte e destreza com o punhal é um agravante.

Cada um tem seu interesse, ir ao jogo, sair do calor da sala sem ventilação, cuidar de seus negócios mas o jurado número 8 não está convencido, ele tem dúvidas e não quer condenar um inocente. Ele contra os outros 11 quer investigar mais a fundo as provas e refazer o percurso da acusação.

Inconformados os outros tentam dissuadi-lo até que o mais velho do grupo resolve apoia-lo e então se inicia o que podemos chamar realmente de atenção, nas palavras de Simone Weil : 

"A atenção é a forma mais rara e pura de generosidade"

Percebemos nos discursos que ninguém até aquele momento estava realmente atento ou tinha se disposto a pensar nas reais circunstâncias do que aconteceu. A racionalidade do jurado 8, traz os detalhes de cada prova. A facilidade de se encontrar o punhal utilizado, os passos necessários para o velho doente ter realmente visto o jovem fugir, a distância e o tempo do trem que impedem a outra testemunha de ter certeza do ocorrido. Ou seja, vemos que se estamos realmente interessados no que aconteceu aparecem novas possibilidades e uma acurácia do olhar.

A consciência se produz no contraste e ao invalidar ou minimizar a força das provas apresentadas sentimos que nada é tão certo como parecia. Mas nem todas as pessoas se convencem ou mesmo estão sensíveis a possibilidade de que podem estar equivocadas. Aparece então os preconceitos, sentimentos arraigados que impedem a escuta com prudência e moderação.

A falta de generosidade e abertura ao outro e seus valores é exposta de forma contudente e sentimos a tensão aumentar no grupo, as diferenças éticas aparecem e percebemos que para além do caso se discute o que é a justiça.

Dá para dizer com toda certeza, sem qualquer dúvida razoável que o réu é culpado ?

É muito bom ver o filme não somente pelo tema da justiça, mas principalmente para entender as dificuldades de diálogo e de atenção responsável ao outro que não tem os nossos valores ou não participa do nosso grupo de afinidades.






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