Adeus meninos

Lançado em 1987, Adeus Meninos foi o primeiro filme de Louis Malle na sua volta à França, de onde havia saído mais de dez anos antes para os Estados Unidos.Ao longo de sua carreira realizou trinta longa metragens. O filme ganhou o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza
Esta análise está organizada em três momentos meditativos:
- o roteiro baseado na autobiografia do diretor e seu tom confessional
- a questão do colaboracionismo e traição : Vichy
- “Quem encontra um amigo, encontra um tesouro” : o tema da amizade.
Padres do colégio em que Malle estudou ajudaram a Resistência francesa e deram guarida a garotos judeus – exatamente como no filme, um momento de divisão política na França pela ocupação nazista. Ao contrário do que muita gente faria, Malle não pinta Julien Quentin, seu alter-ego, como um garoto perfeito. Julien é inteligente, lê muito, tira boas notas, tem capacidade de liderança entre seus colegas de classe, mas é um tanto mimado, pela excessiva proteção de sua mãe.
Aos poucos ele se torna o melhor amigo de Jean Bonnett, um introvertido colega de classe, que no decorrer da história descobrimos que é judeu e está no colégio com uma identidade falsa, a forma encontrada para ser protegido da Gestapo. O cineasta explica, no livro com o roteiro do filme, o quanto esta experiência de vida foi perturbadora e o tempo necessário para maturar sua coragem de trazer a público:
"Adeus meninos foi inspirado na lembrança mais dramática da minha infância....Um dos meus colegas que havia chegado no começo do ano, me intrigava muito. Ele era diferente, discreto. Comecei a conhecê-lo , a amá-lo quando certa manhã nosso mundo desabou. Esta manhã de 1944 praticamente decidiu minha vocação de cineasta. É a minha fidelidade, minha referência. Deveria tê-la feito a matéria do meu primeiro filme, mas hesitava, esperava. O tempo passou , a lembrança se tornou mais aguda, mais presente"


