Madame Bovary

Madame Bovary conta o processo crescente de desilusões de uma jovem, suas expectativas com o casamento, maternidade, com a vida social e familiar não correspondem à sua imaginação e ela segue de cidade em cidade, um ciclo de:

 entusiamo - obsessões - realização - decepção -  tédio - torpor


Temos no filme de Jean Renoir em preto e branco, um grande foco na mímica facial da interpretação dos personagens. A tia de Renoir , Gabrielle Renard teve grande influência em sua educação, foi ela que apresentou ao então menino o teatro de bonecos de Montmarte: Guignol que percebemos como influência em sua carreira.


O cineasta comenta sobre a tia:

"She taught me to see the face behind the mask and the fraud behind the flourishes. She taught me to detest the cliché."

Para saber um pouco mais sobre o cineasta : 

Emma Bovary se tornou uma personagem emblemática trazendo inclusive para o vocabulário a expressão bovarismo: um desejo de ser outra pessoa e a insatisfação permanente consigo mesma, uma
 inversão
 do
 olhar
 que
 destrói
 a
 visão
 do
 real
 e
 a
 substitui
 pelo
 ideal
inalcançável.

 A
visão
supostamente
objetiva
que
a
câmera
trouxe
na
representação
do
real,
libertando
a
 imagem
 da
 presença
 subjetiva
 do
 narrador,
 encontra
 correspondência
 no
 uso
 que
Flaubert
fez,
pela
primeira
vez
de
modo
dominante
num
romance,
do
chamado
relator
invisível. 

Em
 acréscimo
 a
 isso,
 podemos
 observar,
 na
 obra,
 a
 utilização
 de
 diversos
 recursos
 narrativos
 que
 fazem
 com
 que
 muitos
 a
 considerem
 “o
 primeiro
 romance
 moderno”.
 Vários
 desses
 recursos
 poderiam,
 inclusive,
 ser
 anacronicamente
 chamados
 de
 “cinematográficos”.
O
aparecimento
recorrente
de
certos
objetos,
a
consciência
do
papel
 que
 eles
 podem
 cumprir
 no
 andamento
 da
 narrativa,
 por
 exemplo,
 é
 algo
 que
 observamos
 no
 texto
 flaubertiano
 e
 que
 está
 profundamente
 relacionado
 ao
 modo
 cinematográfico
 de
 narrar,
 garantindo
 o
 efeito
 de
 continuidade,
 bem
 como
 os
 próprios
 cortes
 abruptos
 de
 sequências
 que
 são
 retomadas
 posteriormente,
 realizando
 o
 que
 se
 denomina,
 na
 linguagem
 fílmica,
 raccord.


São muitas as adaptações  e consequentemente releituras  feitas desta obra literária feita pelo cinema.


Quanto ao comportamento de Emma Bovary percebemos traços de um transtorno de personalidade histriônica. São pessoas que tendem a confiar muito nos outros, especialmente em figuras de autoridade que, pensam, podem ser capazes de resolver todos os seus problemas.Frequentemente se envolvem em relacionamentos que acham ser mais próximos do que verdadeiramente são. Pessoas que anseiam por novidade e tendem a se aborrecer facilmente. Assim, elas podem trocar de emprego e amigos com frequência. Gratificação adiada é muito frustrante para estes indivíduos, então suas ações são muitas vezes motivadas pela obtenção de satisfação imediata.


A personagem impregnou o imaginário de tal forma que existem filmes cujo título visam confrontar esta compreensão icônica do mundo, é o caso de "
I Am Not Madame Bovary" de Feng Xiaogang, Liu Zhenyun and Fan Bingbing's.





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